Fotografia: qual a influência dos avanços tecnológicos?

A arte de expressar um sentimento e registrar momentos através de uma lente pode até ser considerada um dom. A possibilidade de transmitir um olhar diferenciado para uma mesma realidade, conhecendo novas pessoas e lugares, na intenção de traduzir vidas com imagens, são sonhos para os amantes da arte. Com o surgimento de novas tecnologias, mais pessoas ganharam acesso e oportunidade de registrar o cotidiano.

Ao mesmo tempo em que a internet democratizou a fotografia, tornou ainda mais necessários os conhecimentos específicos na área para atuação no mercado de trabalho profissional.

Técnica ou arte?

Com o passar do tempo, o avanço tecnológico permitiu que qualquer indivíduo com um equipamento capaz de produzir uma imagem torne-se, de maneira indireta, um fotógrafo. Mas a técnica desenvolvida em cursos para uma formação especializada é o diferencial entre amadores e profissionais.

Para a coordenadora do Curso de Fotografia da FSG, Profa. Dra. Camila Cornutti Barbosa, a formação busca desenvolver diversas habilidades nos futuros fotógrafos.

– A formação acadêmica em fotografia faz com que seja grande a diferença entre o sujeito que apenas gosta de fotografia, mas muitas vezes não possui um olhar tão aguçado sobre o assunto, e aquele que pretende seguir trabalhando com essa arte.

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Para a professora, a intenção é exatamente a de relacionar um repertório entre o mundo das artes, da estética, da comunicação social, além de mostrar o conhecimento técnico de forma diferenciada.

Contrariando o pensamento natural de que a fotografia na mão de todos traria problemas para o mercado de trabalho, as novas mídias contribuíram para a manutenção do mercado em alta. Para Camila, isso mostra que o público começa a desenvolver um pensamento crítico sobre as imagens.

– As redes sociais que trabalham com a imagem são as que mais crescem desde os últimos anos. E isso traz um lado muito legal de democratização da mídia.

Mas não basta apenas a técnica, saber a teoria e não possuir um repertório de olhar artístico, que é o que atrai. Segundo a coordenadora, o público, à medida que começa a se alfabetizar na questão da imagem, vai percebendo quem tem essa sensibilidade, esse diferencial.

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As redes sociais e o retorno à realidade crua

Com o avanço de aplicativos de imagem, em movimento ou fixas, como Instagram, Snapchat e Phhhoto, os profissionais conseguem alavancar suas produções para outro patamar.

Devido à explosão da fotografia nas redes, é natural que o assunto se torne presença constante. Novos conceitos de fotografia, utilização de filtros e identificação de novos segmentos trazem a necessidade de um diferencial que destaque as produções e comova as pessoas.

Para Camila, a imagem sempre trabalha de forma cíclica. Apesar de tantas opções diferenciadas para a criação de uma imagem com a utilização da internet, ao mesmo tempo retorna o interesse pela fotografia analógica e crua. Nela, o objetivo volta a ser a busca por uma interpretação da realidade, sem edições que possam alterá-la.

– Essa arte começou com a intenção de mostrar as realidades, e, com as redes sociais, a realidade começou a ser montada. Vejo hoje que os fotógrafos que têm se destacado na internet, são os que voltaram a mostrar as imagens mais cruas e próximas do real.