Pesquisa da FSG e do Ministério Público indica demandas de senegaleses, haitianos e ganeses

Uma pesquisa desenvolvida por estudantes da FSG, em parceria com o Ministério Público Federal, discutiu as principais vulnerabilidades dos imigrantes residentes em Caxias do Sul. O projeto foi desenvolvido ao longo do ano por universitários de Direito, Comunicação Social e Relações Internacionais. Para o estudo, foram ouvidos 171 imigrantes, vindos do Haiti, Gana e Senegal.

O acesso ao mundo do trabalho foi a principal dificuldade destacada pelos imigrantes, além de moradia e alimentação. Entre os entrevistados, 95% afirmaram não possuir trabalho formal, dependendo de ajuda vinda de entidades assistenciais ou possuindo atividades informais para o sustento. Além do cenário econômico atual, que minimizou as ofertas de emprego, a dificuldade para obtenção de documentos básicos impossibilita a concretização de um contrato de trabalho.

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De acordo com o Coordenador de Graduação da FSG e orientador do projeto, Prof. Marcos Paulo dos Reis Quadros, os problemas de comunicação dificultam a interação nos processos seletivos.

– A comunicação ainda impossibilita o acesso aos documentos exigidos para uma vaga de emprego, bem como a compreensão das burocracias brasileiras. Além disso, pode ser fator negativo na hora de escolha do funcionário.

A parceria com o Ministério Público buscou analisar o quadro geral da cidade, para auxiliar os imigrantes que pretendem permanecer no Brasil. Apenas 7% dos entrevistados não mostraram interesse em trazer familiares que estão no país de origem. Para o professor, a importância da pesquisa se reflete na busca pela inserção dessas pessoas.

– Nos últimos anos, chegaram em Caxias do Sul cinco mil imigrantes vindos do Senegal, Haiti e Gana. É preciso buscar alternativas para auxiliar na inserção desses no mercado de trabalho, pois é condição necessária para evitar que essas pessoas possam, eventualmente, formar bolsões de pobreza no futuro, gerando, assim, mais gastos públicos.