Professora Luiza Grazziotin Selau é aprovada como pesquisadora visitante em universidade na Finlândia

A qualidade do corpo docente é um dos grandes diferenciais da FSG. Nossos professores estão diretamente envolvidos com o mercado de trabalho, inovações tecnológicas, pesquisas científicas, iniciativas de transformação social e intercâmbios acadêmicos.

Exemplo disso é a Profa. Me. Luiza Grazziotin Selau, coordenadora do bacharelado em Design e dos tecnólogos em Design Gráfico, Design de Produto e Design de Moda.

A docente foi aprovada como pesquisadora visitante na Aalto University, localizada em Helsinque, capital da Finlândia, onde dará continuidade à etapa final da pesquisa desenvolvida no seu doutorado.

E essa não é a primeira experiência internacional de Luiza durante o doutoramento. Entre novembro de 2018 e julho de 2019, ela esteve em período sanduíche no IADE – Universidade Europeia em Lisboa, Portugal. 

Confira uma entrevista com a docente.

Como foi o processo de seleção para o período como pesquisadora visitante na Finlândia?
A Bolsa de pesquisador visitante na Aalto University é pelo Departamento da Escola de Artes, Design e Arquitetura, que recebe pesquisadores de todo o mundo em seus grupos de pesquisa. Além de toda documentação e proposta de atividades para o período de visita, também é necessário ser aceito por um professor para supervisão. Fui aceita pelo Prof. PhD Teemu Leinonen, que é pesquisador na área de Design de Novas Mídias e Aprendizado, estando em consonância com minha tese de doutorado. Foram dois meses de processo seletivo com diversas trocas de e-mail e alinhamento de interesses, inclusive dos orientadores, até que a Instituição encaminhou a aprovação.

Qual é o tema da tese?
Faço doutorado em Design na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Meu orientador é o Prof. Dr. Júlio van der Linden e minha tese aborda a etapa de problematização dos projetos de Design, tendo como foco o processo de ensino e aprendizagem na graduação de Design. O título é “MÉTODO PROJETUAL DE DESIGN: proposta para auxiliar acadêmicos na etapa de problematização”.  

Quanto tempo irá passar na Universidade Aalto e como essa experiência pode contribuir para a sua pesquisa e atuação acadêmica?
Ficarei até fevereiro de 2021. Acredito que por ser um dos países com melhor reputação em relação ao Ensino e também ao desenvolvimento na área de Design – inovação e tecnologia, este período me proporcionará muito conhecimento de ponta para posteriormente trocar nas IES brasileiras. O trabalho que vou realizar na Aalto é a parte final do doutorado – testes, resultado de pesquisa e proposta de intervenção. Sendo assim, farei imersão na graduação da IES para absorver técnicas relevantes de ensino e incluir em meu projeto o que for possível e agregador.

Pretendo adquirir conhecimentos neste novo contexto cultural e de ensino avançado para depois aplicar em sala de aula essas formas inovadoras de ensino-aprendizagem em Design.

A senhora já passou um período do doutorado em uma universidade portuguesa. Qual é a importância dessa vivência global na formação acadêmica?
Fiquei de novembro de 2018 até julho de 2019 realizando um período de Doutorado Sanduíche no IADE – Universidade Europeia, em Lisboa, sob orientação do Professor Catedrático Dr. Carlos Duarte, que virou meu coorientador, visto que estamos em um processo de cotutela para dupla titulação UFRGS/IADE.

Foram meses muito intensos em novas descobertas de forma geral – pessoal e profissional. Realidade, cultura e contexto novos para adaptação, aceitação e pesquisas. Participei de diversos congressos em instituições de vários locais, assim tive oportunidade de conhecer muitas instituições de Design e trocar experiências com professores destes lugares que visitei: Lisboa- PT, Porto- PT, Faro- PT, Barcelona- ES, Mérida- ES, Palma de Mallorca- ES, Firenze- IT, Milão- IT, Londres- UK.

Foi enriquecedor e me fez querer ainda mais descobrir como ocorre o ensino de design ao redor do mundo. A importância destas dinâmicas reflete diretamente na forma como levo o conteúdo para sala de aula posteriormente, compartilhando relatos das experiências vividas e podendo aplicar novos formatos de práticas de ensino nas aulas.

Então a experiência na Europa contribui com as suas aulas na FSG.
Durante a etapa de pesquisa desenvolvida em Lisboa participei como observadora de aulas da graduação em Design Global do IADE de três disciplinas no semestre 2018/2019 – equivalentes a três disciplinas que ministro na FSG, a fim de comparar as abordagens do ensino-aprendizagem na etapa de problematização.

No segundo semestre de 2019 apliquei o método de ensino do IADE nas minhas turmas de graduação da FSG para dar andamento à análise comparativa. A didática é bem diferente da minha prática de sala aula, mas ao explicar e propor aos acadêmicos a oportunidade de trabalharmos o semestre todo com o método do IADE as três turmas aceitaram rapidamente.

Ao fim do semestre solicitei que as turmas fizessem uma avaliação da disciplina, como sempre faço, e destaquei que eles deveriam comentar a respeito da dinâmica de aula. Diversos alunos destacaram a importância da oportunidade de trabalhar com um modelo diferente do que estão acostumados, das descobertas acerca de formatos de processo de projeto com nomenclaturas distintas e, de forma muito madura, relataram que mesmo que algumas etapas do processo não tenham sido tão direcionadas ao mercado como estão acostumados (devido aos conflitos de realidade acadêmica BR x PT), foi interessante participar da experiência e trabalhar projetos de design em outros formatos.

E a expectativa para essa nova etapa na Finlândia?
Acredito que o período na Finlândia me proporcionará ainda mais oportunidades de aplicações de métodos de ensino inovadores em sala de aula, pretendo levar para a FSG uma bagagem na área de design com foco em inovação e tecnologia contribuindo com os projetos dos acadêmicos. Um país tão desenvolvido como a Finlândia com certeza apresentará abordagens interessantes e avançadas na área, visto que lá o design tem seus conceitos aplicados na forma de ensino dos professores desde cedo (com o uso de tecnologias na aprendizagem, cocriação, design thinking, inovação em sala de aula ainda na formação básica dos estudantes). Enfim, além do frio – que é muito mais rigoroso que no sul do Brasil, espero que seja um ano de muito crescimento e aprendizagem.